O CAMINHÃO DE MELANCIA E A ESQUERDA

  Por Renato Uchôa (Educador)           

 

 

 

Valcir foi um mestre, em Campo Maior/PI, no descarregar de um caminhão de melancias. No mercado novo, muito depois. Prepara o buxo menino! Jogava, de mão em mão, uma, duas, três para cair, quebrar e encher as nossas panças. Um caminhão de melancias só se ajusta no balanço, o carro vai, o carro vem e a carrada fica bonita. Coladas, unidas de braços dados, e não cedem um milímetro. Viagem boa caminhoneiro. Com Valcir não tinha cachorro valente no quintal. Marcava para levar a perua, com auxílio de uma cachorra entrava em qualquer lugar e ninguém via. O saudoso Silvio Mendes gerente da Casa Marc Jacob, pai do ex-prefeito de Teresina Mendes, uma surpresa ao raiar do Sol, as bicicletas da loja estavam todas na calçada.

Nós já fomos, antes e depois do golpe, de um lado para o outro, para cima, para baixo...E, até então, estamos longe de nos comportamos como um caminhão de melancias. A esquerda brasileira, parte dela no semáforo, só dobra à direita. Se comporta autoritariamente, negocia até o gato de estimação. Voa de Norte a Sul, Leste a Oeste, contanto que esteja na mesa do banquete, e o sobejo, as migalhas venham para nós.

A esquerda brasileira, que efetivamente, historicamente não arredou o pé da luta, não no discurso de ninar, em defesa da democracia, do socialismo, da superação da contradição fundamental entre os que detém os meios de produção e aqueles que produzem e não têm o direito de se apropriar do resultado do trabalho. A esquerda que não usa calça de fundo mole, pulseira e cordão de ouro de meio quilo no pescoço, e que erroneamente, se digladia nas duas perspectivas: anulação do golpe ou diretas já, que não se excluem, pelo contrário, dialeticamente se completam, para derrotarmos o golpe e restabelecermos o Estado Democrático. Dilma tem palavra, tem o nosso respeito, e muito antes do golpe deixou claro que convocaria as eleições.

A anulação do Golpe no Supremo, não feita ainda em face de nossa incompetência, ou corpo de gelatina, da ausência total dos movimentos sociais no terreiro da Corte de Dom Gilmar, Dom Fackin, Dom Melo...Princesa Cármen.

A legalidade passa pela destruição de todos os traços do Estado de Terror implantado pelos golpistas, e responsabilização de todos os traidores da Nação. Que usem togas, baionetas, ou que trabalhem contra o povo brasileiro em um antro chamado Congresso Nacional. No pacote a sucursal do Golpe na República Corrupta do Paraná.

A greve Geral de 28 de abril passado, as condições objetivas e subjetivas, a revolta popular contra o governo Usurpador de Temer, que banha o dia e a madrugada impõe a unidade da esquerda de luta subir no caminhão, nos milhares de caminhões e carretas, trens de carga, navios...nós darmos as mãos e rumarmos para a Praça dos Três Podres Poderes. É lá que estão representados todos os traidores golpistas do país.  

 Não há como negar a possibilidade de sermos sensatos e entendermos, que por séculos de eleições diretas, o golpe não será derrotado. O roubo do mandato da presidenta Dilma, pelas gangues de todas as cores, mais perversas das Américas, carece de devolução. O mandato é do povo brasileiro, pertence ao Estado Democrático que a duras penas ajudamos a criar. O mandato é da nação, e não dos ladrões que estão fatiando o país. Dessa vez roubaram a luz do dia, à luz das câmaras. Antes, em 1989, roubaram o de Lula, que moralmente ganhou as eleições. As urnas boiaram em vários rios do Brasil. Agora querem roubar o próximo.

No mesmo ano de 1989, a índia Truíra amaciou com um facão o rosto do diretor da Eletronorte José Antônio Muniz Lopes, em uma audiência pública. A pauta era a construção da Usina Kararaô (hoje Belo Monte). A resistência dos povos indígenas com o grito de guerra Kararaô suspendeu a construção por 10 anos. A tribo dos Kayapó, junto com as tribos Araras e Jurunas, unidas tiveram uma grande vitória. Que Truíra nos ilumine, que as nossas tribos da esquerda subam no caminhão e de braços dados derrotemos o Estado de Terror. O morro vem descendo e não vai poupar ninguém.

Resistir e derrotar o golpe, a ação mais bela do povo brasileiro.