GRAÇAS A LA VIDA

    Por Lúcia Helena Issa

 

 

Amigos lindos, muitos de vocês sabem que morei em CUBA durante alguns meses, quando estava terminando a Faculdade de Jornalismo, para descobrir o que sentiam, com o que sonhavam e como viviam os cubanos e para escrever a minha dissertação, que acabaria se transformando em um livro premiado pelo governo federal.

Uma imensa tristeza toma conta de minha alma ao saber da morte do Comandante FIDEL CASTRO. Tenho visto hoje, como esperado, a ira, a agressividade assustadora e a pobreza espiritual, caminhando rapidamente pelas redes sociais ao lado de seus pais, o desconhecimento, o medo e a ignorância. 

Você sabe quem foi o ditador de direita Fulgêncio Batista, a quem Fidel derrubou com a ajuda de milhares de jovens cubanos? Você sabe quem foi Fidel? 
Você sabia que Fidel nasceu em uma família rica de Cuba e descobriu ao crescer que grande parte das crianças da ilha estavam morrendo de desnutrição? Você sabia que, segundo a ONU, antes da Revolução de Fidel, a maior parte das terras da Ilha estava em poder dos americanos, que pagavam 50 centavos de peso por 12 horas de trabalho de um cubano? E que 90% das terras pertencia 1, 5% dos latifundiários da ilha? Você sabia que, um ano antes de a revolução triunfar em Cuba, 60% dos cubanos vivia em bohios, uma favela ainda mais pobre e triste do que qualquer favela que você tenha visto? Você sabia que antes de Fidel, 43% dos adultos eram analfabetos, e 47 % das crianças não iam a escola, e hoje o analfabetismo foi praticamente erradicado na ilha? Você sabia que cerca de 30 % da capital, Havana, antes do triunfo de Fidel, não recebia eletricidade, pois eram os americanos que decidiam quem merecia ter eletricidade e quem não merecia?

Você sabia que a soma das apostas nos cassinos cubanos diariamente era de 266,000 dólares, mas nada desse dinheiro ia para escolas ou hospitais, mas apenas para um grupo de mafiosos cubanos? Você sabia o ditador Batista afirmava que o jogo era ilegal na ilha, porque assim uma parte do dinheiro, 32.000 dólares, que em 1958 era uma quantia infinitamente maior que hoje, ia para seus policiais corruptos e para ele mesmo, enquanto ele dizia para o mundo que o jogo era ilegal em Cuba?

Você sabia que Batista investia apenas em cassinos e prostituição? Você sabia que Cuba teve, depois de Che Guevara, como ministro e médico, índices tão baixos de mortalidade infantil quanto os da Suíça e ainda tem um dos menores Índices de mortalidade infantil do mundo? E que a ONU afirmou e documentou isso? Você sabia que, mesmo com o bloqueio comercial criminoso dos EUA contra Cuba, durante muitos anos, a ilha teve o melhor sistema de saúde do continente, conseguindo erradicar muitas doenças, atendendo gratuitamente a 100% de sua gente, e ainda atendendo milhares de pacientes italianos, brasileiros, etc., que iam para a ilha para tentar curar doenças de pele e outras, e para ter mais qualidade de vida?

Você sabia que Fidel sofreu mais de 200 tentativas de assassinato comandadas pelos EUA? Você sabia que nos meses em que morei em Havana, jamais vi uma criança de rua ou uma criança faminta? O jovem Fidel foi um grande homem.

 O Fidel que conhecemos depois talvez tenha se tornado duro demais e tenha cometido muitos erros, sim, como todos cometemos. Mas você se perguntou por que o NEW YORK TIMES o chamou de um “revolucionário que desafiou os EUA”. Você se perguntou por que tantos italianos o homenagearam hoje? Você se perguntou por que muitos franceses choraram por ele? Ou por que o Papa Francisco, assim como eu, falou de sua imensa tristeza hoje e lamentou a morte de Fidel?? Ou por que Mandela era seu amigo pessoal? Tente buscar respostas, leia, pesquise, não deixe a ira cegar você.

Reflita. Durante essa semana, publicarei uma parte do texto que escrevi para um livro na Itália, sobre Fidel e do texto que escrevi, a pedido de minha amiga Marília Carvalho Guimaraes , para um livro sobre Fidel. Nesse momento, deixo aqui minha dor, minha imensa tristeza pela morte do Comandante Fidel, pelo momento que o mundo vive, pelas injustiças imensas, pelos refugiados, pelas guerras, pelo assassinato de Che Guevara, cuja filha conheci em Cuba, pela morte de tantas crianças palestinas e por todas as nossas perdas.

A menina que vive em mim, Comandante Fidel, sonhava com Cuba e conheceu o seu legado em Havana. A menina que vive em mim ainda sonha com um mundo mais justo.