FRUSTRAÇÕES TOGADAS

  Sérgio Arruda                                                                  

 

 

  Quem, mais vivido, leu Maurice Le Blanc com sua personagem eleita com o ladrão de casaca, Arsene Lupin, não consegue desassociar esse perfil ao do togados que 'operam' em nosso Brasil. Fizeram por criar tais artimanhas parar roer nosso erário mediante uma ridícula leitura interpretativa 'em causa própria' e se locupletar com vencimentos ilegais próximos de sonhos de marajás (superam). MAS, A ARTICULAÇÃO É DE CAUSAR ESPANTO.

Criaram vencimentos sob forma de 'auxílios' a disfarçar o golpe ao Imposto de Renda ou sob forma de indenização de suas próprias funções de ofício. Como se nababos precisassem de tais disfarces... ainda, sem qualquer pudor, criaram verbas para, pasmem, MORAR! Há casos de compra de livros, justamente em função que mantém ricas bibliotecas que são circulantes ao um só toque! E que livros precisariam ler se nem as leis conseguem ver com interpretação de alfabetizados? Precisariam de algum código que desse interpretação que não conseguem atingir?

 A julgar pelo desembargador que disse ser irrepreensível uma sentença de Moro, tudo pode ser ...deve ser do tipo que confunde rima com espírito do poeta. Mas, com a melena meladas com que um ministro traz a público a concessão imoral de auxílio moradia tudo indica que se prendem ao "animus furandi" da personagem literária.

Mas, expõem uma lacuna. No romance o ladrão se tornou cognominado como 'ladrão de casaca' por ser fino em seus atos, ter presença educada nos meios sociais e até alguma sedução por conduta cavalheiresca. Enquanto os profissionais daqui exibem grossura como o beiçola ou aquele covarde que presidiu o júri do impedimento que teceu elogio ao fino jurista vira casaca e ainda mostrou covardia nem suspeitada. Ficam os togados nacionais como reles imitadores. Não conseguem nem chegar perto de ladrões refinados. Apenas ladrões.

Foto: Jornal de Sergipe