EU SOU EU, VOCÊ É VOCÊ, JUNTOS SOMOS NÓS E O BOI NÃO LAMBE

   Por Ana Paula Romão 

 

 

                              

 Por Renato Uchôa

 

 

 

Vai moendo a cana, o fogo é do inferno, pintando um quadro macabro de dedos. Ossos quebrados, e no processo de séculos de exploração e miséria a dignidade do ser humano, combalida, esfarrapada, trucidada. 389 anos de um atalho para o desespero, para a solidão e saudades da Mãe África. A tortura e os massacres perpassam toda a história do Brasil. Desde a conquista.

A crueldade no campo cresceu muito mais quando àqueles que lutaram em defesa das condições de vida enfrentou, na estrada pintada de sangue, desde a escravidão; dos escravistas as senzalas modernas de hoje. Na região canavieira da Paraíba/Pernambuco/Alagoas... quando o latifundiário não mata, tortura de várias formas, sendo uma delas amarrar alguém que chupou uma rodela de cana para aplacar a fome. Além de prisão e espancamentos, estupros, outro método de tortura usado nessas Usinas (em quase todas) era mergulhar o camponês num tanque de mel. Amarrado em uma árvore, pescoço para a forca, ser lambido por vacas/bois.

A língua áspera lixa e corta a alma pela humilhação. A pele espira a dor, a tosse cospe no sangue a marca profunda da dor. A resistência parida vem também contra as formas de opressão, sejam elas quais forem que caracteriza o colonizador brutal. Que traz no sangue azul da morte faz séculos a receita de como tratar os trabalhadores do campo e da cidade, quando lutam pelas condições dignas de trabalho. A suntuosidade da vida das Elites coloniais, atuais no modo de vestir a moda internacional, um banho de riquezas e despir o trabalhador de todos os direitos, poucos, se considerarmos que o resultado do trabalho, que deveria ser apropriado por eles vai para o banho da elite.

Das sinhás modernas, recatadas e do lar. A riqueza vai para elas, Sinhá-Suíça, Sinhá-França, Sinhá-Mundo de meu Deus. Será mesmo a vida toda? A maior parte, movida pelo o assobio do senhor, moderna? Para o trabalhador um banho de mel para o gado vir lamber. A língua é áspera, engoma a pele como um ferro quente. Quando escapa da outra, jogado no melaço quente, nem o Cão concorda com a morte. A crueldade é um traço característico que compõe o sangue azul das camadas dominantes em todos os períodos da história.

Da usina Caxangá, Usina Estreliana de Pernambuco, que assombrou, usurpou direitos, que foi um centro de maus-tratos aos trabalhadores, com prisões ilegais e assassinatos, à Usina Tanques na Paraíba... todas elas são farinha suja de sangue do mesmo saco. As três são os três retratos na capa de três imensos Álbuns de Terror, que evidenciam a metamorfose, com a decadência dos Engenhos, na quebra do Ciclo da Cana de Açúcar. Que simbolizam e que contemplam as várias Usinas do Brasil. No açoite àqueles quem efetivamente, retrata nas mãos com os cortes o mapa da exploração histórica, os produtores de riqueza, para uma casta de parasitas, desde que o Brasil pingou no mapa, que se apropriam da riqueza do país. Não há como negar, as Usinas que se formaram ao longo da história têm uma marca de tortura em todas elas, quando não jogavam o trabalhador no melaço para o boi lamber, era no quente para do tacho sair para o cemitério.

Não há como negar, as Usinas que se constituíram no Brasil sempre tiveram o poder de polícia, e tinha ela como força auxiliar da jagunçada nos assassinatos, inclusive de Margarida Maria Alves, em 12 de agosto de 1983. Foi a primeira mulher presidenta do Sindicato Rural de Alagoa Grande-PB. Um tiro de escopeta no rosto, na presença de um filho menor e o marido. Pedro Fazendeiro, Nego Fubá... Todas as vítimas do latifúndio.

Vale o registro, Júlio Maranhão foi o senhor de engenho da Caxangá, José Lopes de Siqueira Santos (Usina Estreliana), que açoitava os trabalhadores rurais em Pernambuco com um cipó de boi na mão, que usava como um relógio, na década de 1960; Agnaldo Veloso Borges da Tanques/ Itambé na Paraíba, e são milhares de Usinas e Usineiros, e o que os caracteriza é um rastro de ódio, de sangue, de covardia com os trabalhadores/as do campo, é uma cadeia escondida, clandestina, encravada nas Usinas. Uma cova chamada de Benedita, fechada como um caixão para punir o trabalhador.

Latifundiários e usineiros como Agnaldo Veloso Borges, Júlio Maranhão, José Lopes de Siqueira... tinham prazer em amarrar trabalhadores rebelados no tronco e lambuzá-los de mel e sal, os bois mansos da usina faziam o resto. Lamber, ou no matar como fez José Lopes de Siqueira Santos na Usina no assassinato covarde de cinco trabalhadores em 1963, pelo motivo de reivindicarem uma diferença salarial. Não há como negar, nem que “eles” da (elite embrutecida) frequentem os bancos das melhores Universidades do Mundo, carregam a herança de sangue de várias gerações com o poder de matar, de torturar, no escuro da noite, ou no clarear do sol.

Não há como negar que o ex-presidente da Fiesp, Paulo Skaf, golpista, conspirador declarado e descarado da terra dos ladrões de merenda escolar, das gangues do metrô, do solo golpista por excelência no país é um deles. Descende de uma linhagem que matar o trabalhador de fome, sede, cansaço, ou de fraldas é apenas uma diversão. Em qualquer região do Brasil a elite dominante resolve conflito de terras com balas de fuzil. O delegado vem depois montar o conflito.

Ou o ministro de uma Corte a serviço das Outras. E quando envolve a luta dos índios Guaranis- Kaiowá o ministro Gilmar Mendes segura a parada, em favor dos latifundiários do cangaço do chão do Mato Grosso do Sul. Foi assim em 2010 na derrubada do decreto de Lula de dezembro de 2009, um avanço na demarcação abarcando o território sagrado Arroio Koral. Mas, o STF, à frente, de lado, por trás, o ministro Gilmar, o mesmo dos habeas corpus telegráficos para estuprador, assassinos, banqueiros, macabrou e suspendeu a eficácia, abduziu o decreto de Lula, e deixa pastar o gado lambedor nas fazendas Polegar, São Judas, Porto Domingos e Potreiro-Corá.Gilmar é autor do habeas corpus que livrou o assassino perverso Reginaldo Pereira Galvão. Matador sanguinário da missionária Dorothy. Roger Abdelmassih, um dos maiores estupradores da história do Brasil. Banqueiros, Dantas..., e guarda e protege Aécio Neves como um bebê de colo. Ninguém pode negar é doutor honoris causa, das causas da elite perversa que assombra o Brasil no golpe. Eu sou eu, você é você, nós juntos somos fortes, o boi não lambe. E vamos fazer de tudo para derrotar o golpe. Resistir é preciso, tanger os golpistas para o curral urgente.

Foto: PT MS

 

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