CARCARÁ, PEGA, MATA E COME...

        Por Renato Uchôa ( Educador)

             Não tem como negar. Todos nós temos um amigo ou uma amiga, que é uma fábrica de produção ininterrupta de não vai dar certo isso. Agora mais ainda na crise, provocada pelos gângsteres que metralharam o Estado Democrático, e implantaram o Estado de Terror, tudo que nós falamos não vai acontecer. O pessimismo é a grife delas/es até em velório. Acordam o morto no bombardeio, as velas apagam, um zumbido de doer.

Eles/as grudam na gente como carrapatos, e não temos como nos livrarmos. A gente dobra esquina, se esconde atrás de uma vitrine de lojas, mas... sempre estão lá. Monitoram os nossos passos com mais competência que os aparelhos repressivos do governo criminoso do usurpador Temer, que faz de conta que não consegue descobrir um helicóptero apinhado de cocaína. E nas fazendas de ministros trocam os fardos do tráfico descarado à luz do dia, e dizem que são bois no pasto.

Um dia qualquer, quando morava em João Pessoa, cruzava o viaduto Ponto de Cem Réis, depois de um café São Braz quentinho com cuscuz e queijo, rumo à parada do coletivo no Mercado Central. Chego na Banca do Régis, e ele diz vai pegar o beco? Decido voltar e pegar o coletivo na parada em direção aos Correios. O vento da praia de Cabo Branco me chamava. Encontro na descida o visgo, a pegajosa, grudenta... que arrematou indo para a Barreira? O pessoal vai hoje para o Travessia? Dez perguntas à queima roupa. Fiquei tonto, estático sem ter para onde correr. Face a face a estátua de Negreiros. Súbito, João do Vale vai fazer o show no Teatro Santa Rosa logo mais, às 18:30.

Vou não amiga, comecei a cachingar, estou com um panarício no dedo, doendo muito. Eu levo você no hospital, eu disse já venho de lá, quem foi o médico que atendeu, a enfermeira sarjou direito? Tenho um amigo na Farmácia Padre Zé, a receita...? Vamos pedir um desconto. Não amiga já tomei a injeção. Foi na veia? Foi mais em baixo, doeu, foi bezetacil? Lembrei de Nossa Senhora da Penha, Nossa Senhora das Neves, Nossa Senhora da Guia, qual a saída... João do Vale não me saia da cabeça, e ela do meu pé, o tempo corria. João do Vale, músico e compositor maranhense fez mais de 400 canções, dele disse Chico Buarque "João do Vale está na mesma linha de Luiz Gonzaga e, para mim, sua obra tem tanto peso e valor quanto a de Gonzaga".

Não posso afirmar nem de longe, um milagre aconteceu na passagem de um amigo, vais ao Tambaú? Ela não deixou responder, vamos todos para a feirinha. Uma boa ideia, todos nós na parada do Tambaú. Ela quebra o silêncio, via Tambaú ou Rui Carneiro?. O primeiro que passar. Lá vem o ronco do motor Magirus, preparo o bote, primeiro as damas, depois você amigo, em seguida na minha frente duas senhoras. Boa viagem.

Pito um cigarro, respiro fundo e o fumo, rumo ao Teatro Santa Rosa, o quinto mais velho do Brasil, inaugurado em 3 de novembro de 1889, 12 dias antes da proclamação da República que ainda continua sendo dos coronéis. O Presidente da Paraíba à época, Francisco da Gama Rosa deu ao nome uma banda, a outra é patrimônio da Santa. O estilo greco-romano e belo, nos aconchega nos mais de quatrocentos lugares, e a gente sente o cheiro da madeira que compõe a arquitetura.                   

Começa a bela apresentação. Nos cai o intervalo. João não volta, uma espera preocupante, dou um pinote e curiu no camarim. Uma garrafa de pinga da boa apenas com um dedo. Saio de lá preocupado, não digo pra ninguém. João volta cambaleando, é visível por todos a dificuldade de João. Ele senta na ponta avançada do palco, por cima das pernas. Descalço , as pernas da calça dobradas não consegue falar. Alguém na plateia, acho que Socorro Rosas, pronuncia em voz baixa carcará, carcará...como um passo de mágica todos nós acompanhamos, agora um som da luta em um crescendo alto e cadenciado, João levanta a cabeça e diz carcará, e nós todos... carcará, João acorda e nos guia, carcará, pega mata e come, carcará não morre de fome. O teatro explode com João e nós, carcará, pega mata e come, carcará não morre de fome.

Os trabalhadores brasileiros, é inexorável, vão gritar mais cedo ou mais tarde, alguém (todos nós juntos e misturados) temos que preparar e puxar o coro contra o Estado de Terror. Carcará, pega mata e come, carcará não morre de fome...

Obs: fala dedicada a todos os liguentos, visgos, fojos, grudentos que apenas, no íntimo, têm uma maneira diferente de nos amar.

                                             

                                               

 

      

 

 

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