A ESQUERDA NA MÍDIA PEQUENA

                                                            

 Luiz Francisco Guil 

 

 

 

 

 

O maior problema da esquerda política, em todos os tempos, tem sido a ineficiência em tempos eleitorais. Os desonestos têm os caminhos facilitados pelos acordos espúrios, que vão abrindo passagem como uma foice bem afiada numa mata fechada. O segundo maior problema é a infiltração. Quando um partido com histórico de lutas no campo social começa a ganhar vulto, as raposas entram e fazem um estrago. Como já vi ocorrer num certo ParTido de esquerda do Brasil.

 

A questão da infiltração deve ser resolvida pelos diretórios. Infelizmente, as lutas internas dos partidos de esquerda dão margem ao discurso da eficiência, e no instante de definir uma candidatura, de prefeito e deputado para cima, o que conta é a conta bancária. Aí está a deixa para as raposas.

 

Anos atrás lutamos ferrenhamente, em minha cidade, para impedir o Diretório Estadual do PT de candidatar a deputado um dono de supermercado. Não porque um empresário não possa ser filiado ao Partido dos Trabalhadores. Mas porque este não tinha histórico nenhum de lutas a favor dos trabalhadores. Pelo contrário, sua prática era contratar estagiários para pagar pouco e demitir quando bem quisesse. Perdemos essa luta, o empresário se candidatou com o aval do Diretório Estadual e ficou na suplência. Meses depois, segundo as más línguas, comprou a vaga de um deputado que dizia estar se licenciando para fazer exames de saúde. Nos meses seguintes nosso deputado suplente usou sua cadeira na Assembleia do Paraná para tentar reverter, junto aos desembargadores, um processo contra seu pai, ex-prefeito, afastado do cargo pela Câmara Municipal por vender produtos do  supermercado da família à prefeitura. Por ocasião da cessão da cadeira na Assembleia, nosso suplente teve a cara de pau de trazer para uma agradável conversa, numa das rádios da nossa cidade, o deputado "doente", ao qual agradeceu efusivamente por ceder-lhe temporariamente a vaga. E a voz do licenciado parecia cheia de saúde! Nosso deputado não conseguiu convencer os desembargadores. Mas deixou-nos um exemplo do que os infiltrados são capazes de fazer num partido de esquerda.

 

Como sempre, o medo é o que estraga tudo. Os cidadãos interessados em mudanças reais no sistema sócio-político devem enfrentar esse medo com criatividade, em vez de apostar no dinheiro.

Como estou distante das velhas reuniões políticas, que terminavam quase sempre na mesa de bar e na ressaca do dia seguinte, vou deixar de lado esse discurso da infiltração para falar algo sobre a eficiência.

Lembro de ter participado de uma reunião política, a convite de um amigo presidente do Sindicato dos Bancários na cidade de Guarapuava-PR. Num jogo retórico de trincar os ossos, velhos militantes discutiam conceitos marxistas. Percebendo que aquilo não passava de um jogo de egos, num dado momento perguntei o que eles estavam fazendo para ganhar a eleição municipal e a sala emudeceu.

 

Quando Lula fez seu acordo com o PL em 2002, depois de três derrotas consecutivas, foi criticado com virulência por alguns extremistas — que ali demonstraram muito ego e pouco amor no coração. Algumas Heloísas Helenas ficaram famosas com o episódio, qualificando-se para a disputa no pleito seguinte. Ocorre que Lula estaria amargando sua quinta derrota em 2006, caso não tivesse optado pela eficiência. E ainda que a crítica de setores da esquerda tenham continuado batendo forte em seu governo, em breve foram contabilizados muitos avanços nas áreas social e econômica – apesar de que as mudanças essenciais tenham ficando para o dia em que a esquerda torne-se vitoriosa sem acordos indesejáveis.

 

  Sérgio Arruda

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