Panela velha é que faz comida boa

 

  Por Renato Uchôa

 

 

 

 

  Por Ana Paula Romão

 

 

 

Costelas na brasa. O porco não é igual a “eles”. Não tem a marca daqueles que defendem a pena de morte. Para os filhos dos outros. Espancam, violentam as mulheres na madrugada fria e silenciosa. De todas as formas. O deputado Roberto Freire não esconde de ninguém a alma vendida a Elite. Nomeado procurador do INCRA em 1970, por Médici, o ditador sanguinário.

Algo muito estranho quando vários democratas eram caçados e mortos. Foi dedo duro? O que se sabe, colaborou com o Golpe lá, e agora quer outro contra Dilma e o povo brasileiro. Golpista covarde por natureza. Muito menos esconde a truculência contra as mulheres. A agredida foi à deputada Jandira Feghali, lá no antro do preconceito e Casa de Destruição dos direitos trabalhistas.

 E entrega encomendada do país no leilão que se aproxima. Os homofóbicos na calada da noite. Verdadeiros cultos de terror e preconceito à luz do dia. Precedem a caça a eles/as. No Congresso Nacional, em canais de televisão, rádios... Concessões do Estado, omisso e medroso no agir contra o preconceito e discriminação. Tísico como diria o filósofo da Rua, Paulo Afonso.

 Tuberculosamente afetado pelo silêncio. Inepto na efetiva defesa dos mais ainda menos excluídos pelas políticas públicas implementadas. Mesmo aqueles que arriscam uma caminhada pelo bairro, a morte na espreita com os olhos arregalados sobre nós. Os idosos, crianças, índios, preto, pobre, prostituta, cachorro, gato... Entram no pacote do ódio a tudo que se movimenta. Odeiam todos os pobres, de todas as cores, com todas as forças da intolerância.

E esqueceram que a Isabel "assinou" a Abolição da Escravidão, pressionada pelos interesses econômicos dos países hegemônicos da época e a força interna dos quilombos, dos abolicionistas. Faz séculos, mas ainda no papel puído e corroído. O leitão foi criado no fundo do quintal. A lavagem não é do dinheiro sujo que foi pra Aécio Neves, a justiça cegou completamente, e tem medo de pássaros. Mas, adora praticar Bullyng no PT.

Não vem da empresa Gangue do Metrô, ou das que operam de pai pra filho, esfacelando o país faz décadas. A lavagem é da boa, feita de arroz, feijão. De milho bom. Farofa com cebola, carne de sol pisada no pilão. Azeite de coco lá no fundo, ajuda o som do baião de dois.

Ao contrário dos milhares que tocam a marcha fúnebre contra tudo e todos identificados com a luta na defesa de uma vida melhor no país. Machucam a unha, quando passam perto de uma colher de pau. Ou de prata. Não sabem estrelar um ovo, mas competentes pra quebrar o país por vezes. Café na lata nunca afetou o juízo de ninguém. Talvez os de Paris... Uma carrada de hipocrisia no som do fundo das panelas Mauviel, Le Creuset, Staub, Silit, Garcima, Gordon Ramsay... Panela de mais de dois salários mínimos. É o som da legítima Elite Branca Europeizada, exploradora.

Atrás da banda apodrecida, até bem pouco tempo fora das cordas, vem tocando, fumaçando e fuçando outra camada. A que ascendeu para o bloco da panela Tramontina. Vai se arrastando nos fogões de ponta ou de fim de linha. Daqueles, faz menos de duas décadas, pediam o vizinho um cabo de vassoura para tanger um cururu de dentro de casa. A rede tinha quatro remendos. Um arco íris de baladeiras em um só espaço. Agora a cama é de água. . .As fotos no fusca foram queimadas. As imagens foram escondidas debaixo de sete capas. Os resquícios da vida difícil, que era o país na época dos Pavões FHCs.

Comeram o pão que o diabo amassou. Ou o bico com o cheiro de uma sardinha durante a semana inteira. Cozinhas azulejadas e decoradas com móveis de última geração. Fogão e geladeira, mais caro que uma moto. Faqueiro com a ponta de ouro pra explorar as empregadas domésticas. Bater em panela cheia é um crime, uma afronta para milhões que morreram e morrem de fome todos os dias no mundo. Situação de miséria provocada pelos ídolos dos batedores de panelas da Tramontina.

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