O Fim da Esquerda no Brasil?


 Por Taninha Soares Domingos

 

Com a eleição de Rodrigo Maia para a Presidência da Câmara dos Deputados ficaram claras algumas coisas. Em primeiro lugar, que Temer não está assim tão poderoso no Congresso, como avaliava inicialmente a mídia. Sofreu uma derrota grave no último dia 6, quando a Câmara rejeitou seu pedido de urgência para projeto que trata do acordo sobre a dívida dos Estados com a União. Ontem não conseguiu emplacar o seu candidato preferido, Rogério Rosso.

Rodrigo Maia agregou partidos de centro esquerda e esquerda, e levou a Presidência da Câmara. Eduardo Cunha, por sua vez, se enfraquece, porque tinha Rosso como seu grande aliado. A disputa mostrou que ele está com o poder esvaziado e que conseguiu, em votação secreta, apenas 170 votos em favor de seu candidato, representante do Centrão. O resultado da eleição mostra que o Centrão está fragmentado.

O grupo de partidos, que é liderado por Cunha, diminuiu de tamanho com o resultado da votação. Esse fato sinaliza que, em uma votação aberta, Cunha não escapará da cassação e com uma margem bastante expressiva. De qualquer forma, Rodrigo Maia, embora não faça parte do Centrão – grupo que agrega a turma de Cunha e Temer – vai sim cooperar com Temer e com seus projetos neoliberais. Afinal, Maia é do DEM, partido do golpe, das maracutaias, das conversas ao pé do ouvido nos corredores da Câmara.

Maia já tinha vencido Rosso no primeiro turno com uma diferença de 14 votos, com placar de 120 votos contra 106. No segundo turno, conseguiu o apoio de PDT, PCdoB, PR e PTN. Com tudo isso, fica a pergunta: a esquerda brasileira está se tornando capenga? Acredito que sim, já que não consegue eleger mais um representante no Congresso e ainda tem que apoiar um candidato de extrema direita, apenas para não permitir que Cunha elegesse seu bandido favorito.

É urgente que a esquerda eleja mais parlamentares para o Congresso. Só assim, poderá reagir. Não basta eleger o Presidente da República. Sem uma base forte no parlamento, as políticas sociais não avançarão. Se a esquerda não se articular, não se unir contra essas forças neoliberais que estão dominando o país, a tendência é se tornar um espectro, um nada. Ou quase na